Ninguém acorda um dia completamente desconectado da sua essência. Acontece aos poucos — como uma água que vai aquecendo tão devagar que não nos apercebemos até já estar demasiado quente. Um ecrã aqui, uma distracção ali, uma urgência atrás de outra. E de repente já não sabemos quando foi a última vez que estivemos verdadeiramente presentes.
Vivemos numa época que nos oferece tudo — informação, entretenimento, validação, estímulo — excepto o único que realmente precisamos: silêncio suficiente para nos ouvirmos. O sistema que nos rodeia — político, económico, mediático — funciona melhor quando estamos ocupados, consumindo, reagindo. Quando não temos tempo para parar e perguntar: “Mas quem sou eu, realmente?”
Isto não é paranoia. É uma observação simples: a desconexão da nossa essência é o estado mais lucrativo para o mundo exterior. Uma pessoa que se conhece, que está enraizada, que não precisa de validação constante, é uma pessoa difícil de manipular, de vender, de controlar.